Zoomview


 

::::::::::::::: EXPEDIENTE :::::::::::::::

Entrevista by Jayme Borges

Texto na íntegra: http://www.zoomview.zip.net

E-mail: zoomview@gmail.com (envie suas críticas e sugestões)

Zoomview Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5677040

Apoio: http://www.fotolog.net/alpio

 

A versatilidade dos seus desenhos é a principal característica deste artista que começou seus primeiros rabiscos em uma porta de banheiro da casa onde morava. Com 22 anos, este sagitariano paraguaio, além de desenhar, dedica seu tempo dos finais de semana para discotecar.

Julgando-se um ilustrador acidental, a ZoomvieW inicia sua jornada apresentando o desenhista Frederico Vieira de Melo, de Pernambuco, mais conhecido como Kindaemo.

 

ZoomvieW - Antes de tudo, o que vem a ser “Kindaemo” e por que você usa este nick?

Kindaemo - Essa pergunta não tem necessariamente uma resposta... “kindaemo” é só o nome do fotolog. A idéia era referenciar essa coisa emo, um movimento musical, de se voltar pra você mesmo e emergir cheio de elementos, internalizado... então achei que valia a pena me utilizar dele pra “definir” a idéia do fotolog... e o kinda é pra tirar a seriedade da coisa... internalizado, mas sem se levar tão a sério...

 

ZV - E quando e por que você começou a tomar gosto pelos desenhos?

KE - Desenhar era hobbie de infância, as crianças jogavam bola, eu desenhava. Nunca foi pretensão profissional, era mais um hábito que eu mantinha por puro gosto... oficialmente eu risquei a porta do banheiro de casa quando ainda era muito pequeno [risos]



Escrito por Bomta às 20h02
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ZV - Bom, depois de ter feito “arte no banheiro”, hoje, você está envolvido profissionalmente com desenhos?

KE - Atualmente sim, me meti no mercado publicitário, por acaso, há 6 meses e foi aí que eu descobri que além de desenhar eu poderia ilustrar. Além dos desenhos eu também atuo como DJ nos finais de semana.

 

ZV - No seu fotolog percebemos muitos desenhos variados. Que estilo você prefere?

KE - Eu prefiro todos, ao mesmo tempo! É parte de um processo, eu pretendo agregar sempre alguma coisa nova, pensar diferente e concretizar diferente. Tenho medo da superficialidade, mas isso não me impede de passar todo o tempo em uma só coisa. Eu tenho medo de me “prender”... e se “perder” às vezes pode ser legal.

 

ZV - E nessa liberdade de estilos, tem algum xodó artístico?

KE - Depois que a coisa ficou “séria” eu lembro que me apaixonei pelos olhos japoneses... mas a coisa com o mangá deu espaço a outros traços...

 

ZV - E além dos olhos japoneses e essa abertura feita pelo mangá, o que você gosta de desenhar?

KE - Muitas coisas... se tiver um papel em branco na minha frente e nenhuma pretensão eu começo a desenhar mulheres, acho que pela facilidade que têm de passar expressões, seja com as mãos, com os olhos... Sempre dá para carregar mais, eu acho.

 

ZV - E o que você não desenha?

KE - O que eu achar ‘feio’. Num sentido bem amplo da palavra...

 

ZV - Entre “feios” e “bonitos”, o que você gostaria de desenhar?

KE - O que eu ainda não vi, mas ainda vou ver, por exemplo, a mudança de um ângulo, um ângulo novo...

 

ZV - Como todo artista você deve ter um ambiente propício para desenhar. Como é o seu ambiente “criador e criatura”?

KE - Com música, sempre... do jazz à música eletrônica, passando pelo rock cru... Eu acabo procurando um “humor musical” pra alimentar a idéia que eu ‘prevejo’... é como uma via de mão dupla... uma coisa se acrescentando à outra, mas eu também conto com o silêncio como ferramenta de ‘humor’.

 

ZV - E nessa espécie de 8 ou 80, quero dizer, do silêncio ao rock cru, passando por outros estilos, qual a principal característica presente nos seus desenhos?

KE - Eu não sei se existe uma característica “mãe” que unifique tudo que eu faço, aliás, duvido disso... se eu fosse chutar, eu diria que é a versatilidade... Por tudo que eu já falei antes.

 

ZV - É dessa versatilidade, então, que vêm as idéias para criar trabalhos magníficos?

KE - Posso responder quando tiver chegado ao nível de trabalhos magníficos? [risos]. De todo lugar, de “um humor” numa música, de uma luz diferente sobre uma coisa “velha”, de uma expressão nova... A sua observação, o seu “olhar sobre o mundo” é o filtro, ou as lentes que captam as referências. Eu tento “fotografar” o que eu vejo... Tudo é referência válida quando se fala de desenhar a realidade.



Escrito por Bomta às 20h01
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ZV - Interessante essa idéia do fotografar, já que você também brinca com fotografias? Qual a diferença entre fazer um desenho e fazer uma arte ou um efeito sobre uma imagem já pronta como a fotografia?

KE - Adoro brincar com fotos... É onde eu vetorizo, apesar da “dureza” de uma foto, mais livremente... Fazer um desenho é criar do nada... vetorizar em fotos é como esculpir, parte do resultado vai depender da matéria bruta que você escolheu...

 

ZV - Então entre desenhar e vetorizar existe uma diferença? Qual a sua preferência?

KE - Sim. Para mim, desenhar é mais orgânico, mais intuitivo; e vetorizar é mais mecânico, o resultado é mais certo. Eu sou melhor vetorizando, mas andei me sentindo um desenhista medíocre e estou procurando tempo pra praticar mais manualmente, pois tem efeitos que você não consegue com o mouse, por isso mesmo eu acabo sempre associando as coisas... Sempre acabo trabalhando em cima de um raft, acho interessante o resultado da associação, é complicado separar os dois; pra mim as coisas se completam.

 

ZV - E com essa associação, essa junção de técnicas lhe traz um amadurecimento maior?

KE - É inegável o crescimento que a prática traz para qualquer que seja a atividade, hoje eu sou melhor do que há 6 meses atrás e espero estar ainda melhor daqui mais. É o benefício de ter que arrumar sempre um jeito diferente (seja mais rápido, mais econômico, mais objetivo) pra fazer coisas novas. A chance de trabalhar efetivamente com isso, como ilustrador, me dá todas (ou muitas) perspectivas do que é possível fazer, e eu ando tentando explorá-las à medida que elas aparecem.

 

ZV - E quanto tempo em média você se dedica em uma arte?

KE - Varia muito, e eu sou meio perfeccionista. Na verdade, quanto mais tempo tiver, mais eu uso. Na publicidade o prazo determina o tempo que eu vou usar, em casa eu fico mais livre... desenho até achar que a idéia amadureceu. Por exemplo, estou mantendo um desenho “verde” tem quase um mês, só trabalhei nele nos finais de semana e apesar de me deixar já satisfeito, não acho que posso tomá-lo por finalizado ainda.

 

ZV - E os trabalhos maduros, algum trabalho publicado no Fotolog foi divulgado fora dele?

KE - Alguns, quando fico orgulhoso das ilustrações para anúncios ou outros eu acabo pondo ali.



Escrito por Bomta às 20h00
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ZV - E qual é o tipo público visita seu Fotolog?

KE - Eu ainda não sei, metade da “popularidade” que eu ganhei esse último mês peguei emprestada do Alpio [/alpio], quando ele me adicionou. É a política do Fotolog. Você acaba sendo visto sem muita estratégia, por ordem de atualização mesmo.

 

ZV - Então você acha necessário um espaço para a divulgação deste tipo de trabalho? Como deveria ser?

KE - Eu gosto da idéias de revistas como essa. Acho que, por conta desse fácil acesso às ferramentas, tem muito talento aí pra ser descoberto... Um veículo que dá esse espaço para o pessoal mostrar um trabalho aplicado, como chamar um ilustrador para pensar um desenho em conjunto com um texto e disso tirar o conceito para uma matéria, ou seção, é um lance bacana. Neste caso, o Fotolog têm sido um outdoor mais que apropriado nessa época em que até o real se utiliza da vitrine virtual, não fica difícil fazer o caminho inverso.

 

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ZV - Como surgiu a idéia, criação e execução do trabalho de capa?

KE - Aquele foi um dos vetores fáceis... Acho q saiu em meia hora, e a idéia nem era ainda muito clara na minha cabeça quando eu sentei na frente do pc... era pra ser um anúncio muito colorido, que foi veiculado assim mesmo na revista AMPLA, aqui de Pernambuco, e fiz essa versão em azul para me satisfazer mais um pouco... porque a criação foi muito rápida.

 

ZV - Em carona dessa frase “para me satisfazer”, qual o valor de um desenho para você?

KE - Eu acho que o mesmo que tem para todos ‘artistas’. Eu morro de ciúmes de alguns deles... Quando eu me orgulho eu posso passar horas só olhando pra um desenho, é assim, estranho.

 

ZV - Qual o desenho mais complicado? E o mais fácil?

KE - O mais complicado é sempre o próximo. E o mais fácil é sempre o último. [risos]

 

ZV - Para ter um bom desenho é preciso ser?

KE – Em uma palavra: observador.

 

ZV - E para ser um bom desenhista é preciso ter?

KE - Ainda acho que a resposta está na observação, a prática você pode adquirir de maneira mais fácil que a observação.

 

ZV - Que conselho você dá para quem começa a desenhar agora?

KE - Começar mesmo. Acho que uma vantagem da pós-modernidade é o dar acesso às ferramentas muito cedo... e em versão “.org”, pra você baixar e aprender em casa, sem pagar. Uma criança com talento tem muito mais chance de desenvolvê-lo, e pode fazê-lo muito mais cedo. Então o meu conselho é minimalista, comece... pratique e você verá resultado com tempo.



Escrito por Bomta às 19h59
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  09/10/2005 a 15/10/2005


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